Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia organizam redes de pesquisa e impulsionam a Engenharia Biomédica no Brasil

Estes institutos fortalecem a ciência em rede e apoiam centros estratégicos de inovação em saúde e Engenharia Biomédica​

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) são uma das principais iniciativas de organização da pesquisa científica no Brasil. Criados para fortalecer áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país, funcionam como grandes redes de pesquisa que conectam universidades, institutos e centros de excelência de diferentes regiões. Ao articular ciência, formação de profissionais e inovação, os INCTs ajudam a estruturar o sistema científico brasileiro e ampliam o impacto social do conhecimento produzido, inclusive em áreas como a Engenharia Biomédica.​

O modelo dos INCTs surgiu da necessidade de superar a fragmentação da pesquisa e criar agendas científicas de longo prazo, capazes de enfrentar desafios complexos. Em vez de projetos isolados, os institutos reúnem grupos consolidados em torno de temas prioritários, como saúde, tecnologia digital, energia e meio ambiente, favorecendo a cooperação nacional e a inserção internacional da ciência brasileira.​

O que são os INCTs e como funcionam

Os INCTs são redes multicêntricas e interinstitucionais que reúnem pesquisadores de diferentes áreas e instituições em torno de um tema comum. Cada instituto possui uma coordenação central e uma instituição‑sede responsável pela gestão científica e administrativa, mas as atividades são distribuídas entre diversos polos espalhados pelo país.​

Essa estrutura em rede permite ampliar a escala da pesquisa, compartilhar infraestrutura e conhecimento e formar recursos humanos altamente qualificados, do nível de iniciação científica ao pós‑doutorado. Além da produção de ciência de fronteira, os INCTs têm como objetivos gerar inovação tecnológica, apoiar políticas públicas e promover a transferência de conhecimento para a sociedade.​

Outro aspecto central é a contribuição para a redução de desigualdades regionais na ciência. Ao integrar instituições de diferentes estados, os INCTs ajudam a distribuir competências e oportunidades de pesquisa, fortalecendo o desenvolvimento científico em regiões historicamente menos contempladas por grandes investimentos.​

Quem financia os INCTs

O financiamento dos INCTs é coordenado principalmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em articulação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pelas diretrizes do programa. Esse apoio federal é complementado por outras agências, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que atua especialmente na concessão de bolsas, e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), voltada ao fomento à inovação.​

Também fazem parte desse arranjo o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e, em algumas chamadas, instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Saúde, em editais direcionados a temas estratégicos da saúde.​

Em nível estadual, as fundações de amparo à pesquisa têm papel fundamental no cofinanciamento dos institutos. Entre elas estão a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), entre outras. Em alguns casos, empresas e instituições privadas também participam como parceiras em projetos específicos.​

INCTs e a Engenharia Biomédica

A Engenharia Biomédica ocupa posição estratégica dentro do ecossistema dos INCTs por atuar na interface entre ciência, tecnologia e saúde. A área reúne conhecimentos de engenharia, computação, ciências da vida e saúde para desenvolver soluções que vão do diagnóstico e tratamento de doenças à reabilitação e à promoção do bem‑estar.​

Os centros de pesquisa vinculados a esse ecossistema combinam pesquisa básica, aplicada e inovação tecnológica, muitas vezes em diálogo direto com o Sistema Único de Saúde (SUS). Essa integração permite que resultados acadêmicos avancem em direção a aplicações práticas, com potencial de impacto na assistência, na gestão em saúde e nas políticas públicas, conectando‑se às agendas da SBEB e de eventos como o CBEB.​

Outros centros de pesquisa em rede

Além dos INCTs, outros centros de pesquisa em rede também contribuem para o avanço da Engenharia Biomédica e de tecnologias em saúde no país. Entre eles estão programas como CEPIDs e Centros de Ciência para o Desenvolvimento, mantidos por agências como a FAPESP e instituições federais, que dialogam com os INCTs em temas, parcerias e projetos e ajudam a consolidar um ecossistema integrado de ciência, inovação e formação de recursos humanos.​

Entre esses centros está o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), que desenvolve estudos voltados à neurociência de precisão, à saúde mental digital e à ciência da implementação. O foco está na compreensão, prevenção e tratamento de transtornos mentais, além da transferência de tecnologias e intervenções para o sistema público de saúde.​

O Centro de Inovação em Inteligência Artificial em Saúde (CIIA‑Saúde) atua no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial para apoiar o diagnóstico, o tratamento e a gestão de serviços de saúde. Além da pesquisa, o centro investe em educação e difusão do conhecimento em saúde digital, promovendo o uso ético e qualificado dessas tecnologias por profissionais e pela sociedade.​

Já o Centro de Referência em Inteligência Artificial (Cereia), sediado na Universidade Federal do Ceará, é voltado à pesquisa aplicada em inteligência artificial. O centro integra universidade, setor produtivo e poder público para desenvolver soluções tecnológicas com potencial de aplicação prática, especialmente na saúde, além de atuar na formação de recursos humanos e na transferência de tecnologia.​

Na área de neurociências, o Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN), um centro de pesquisa em rede apoiado por programas estaduais de fomento, reúne pesquisadores de diferentes áreas para investigar doenças neurológicas e desenvolver tecnologias de diagnóstico e tratamento, com foco em condições como epilepsia e acidente vascular cerebral.​

Outros centros atuam no desenvolvimento de tecnologias assistivas, como o Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva para a Educação Bilíngue de Surdos (CCD‑TAEBS), voltado à criação de recursos educacionais acessíveis. Também se destacam o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva (CMDTA), que desenvolve soluções para ampliar a autonomia e a inclusão de pessoas com deficiência, e o Centro de Tecnologias Assistivas para as Atividades da Vida Diária (Tecvida), focado em dispositivos e sistemas que favorecem a vida independente. Em conjunto com os INCTs, essas iniciativas reforçam a capacidade brasileira de produzir conhecimento aplicado, gerar inovação e responder a demandas concretas da saúde e da inclusão.​

Formação, inovação e impacto social

A atuação desses centros e dos INCTs tem impacto direto na formação de estudantes e pesquisadores, ao oferecer ambientes de pesquisa estruturados, interdisciplinares e conectados a desafios reais. Esse modelo favorece o surgimento de novas tecnologias, startups e soluções em dispositivos médicos, inteligência artificial em saúde e tecnologias assistivas que podem ser incorporadas ao sistema de saúde.​

Ao aproximar universidades, SUS, setor produtivo e gestores públicos, os INCTs contribuem para reduzir a distância entre a produção científica e sua aplicação prática. Esse movimento fortalece a inovação em saúde e amplia as chances de que o conhecimento gerado nas instituições de pesquisa se traduza em benefícios concretos para a população.​

Perspectivas para a ciência em rede

A experiência dos INCTs mostra que a organização da ciência em redes cooperativas é um caminho relevante para enfrentar desafios complexos e de longo prazo. A continuidade desse modelo depende da manutenção do financiamento, da integração entre instituições e da valorização da pesquisa aplicada e da formação de profissionais capazes de atuar em ambientes interdisciplinares.​

Nesse cenário, a Engenharia Biomédica tende a desempenhar papel cada vez mais estratégico, ao conectar avanços tecnológicos às necessidades do sistema de saúde. O fortalecimento dos INCTs e dos centros de pesquisa associados amplia a capacidade do país de inovar, formar profissionais qualificados e responder, de forma sustentável, aos desafios da saúde no Brasil, em sintonia com a missão da SBEB de integrar ciência, tecnologia e cuidado

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