No Dia Internacional da Igualdade da Mulher, pesquisadoras e profissionais da área destacam avanços, desafios e caminhos para fortalecer a presença feminina na Engenharia Biomédica
Celebrado em 26 de agosto, o Dia Internacional da Igualdade da Mulher relembra conquistas históricas na luta feminina por equidade de direitos e oportunidades. Na Engenharia Biomédica, campo multidisciplinar que une ciência, tecnologia e saúde, a data também provoca reflexões. Embora a presença feminina venha crescendo, a Engenharia segue sendo um campo de predominância masculina.
Para a professora Maria Claudia Ferrari de Castro, do Centro Universitário FEI, a realidade mostra avanços, mas também obstáculos que se mantêm. “Apesar das transformações ao longo dos anos, a presença feminina encontra alguns desafios que precisam ser superados, como discriminação de gênero, assédio, escassez de mulheres em posições de liderança e desigualdades salariais”.
Essas dificuldades se acentuam em determinadas regiões do país. Segundo a professora e coordenadora do curso de Engenharia Biomédica da Universidade Federal do Pará (UFPA), Maria da Conceição Pereira Fonseca, no Norte do país, a desigualdade de gênero ainda limita a ascensão profissional. “Há muito poucas, ou quase nenhuma, mulheres como líderes de equipes ou em postos de tomada de decisão, sendo estes predominantemente ocupados por homens”.
A doutoranda em Engenharia Biomédica e QA Software Tester, Naynara de Souza, destaca que os grandes eventos da área ainda refletem um cenário desigual. “Nos grandes eventos, ainda vemos que os maiores nomes são homens brancos. Talvez daqui a uns 20 ou 30 anos teremos essa representatividade feminina em maior volume”.
Nesse contexto, a SBEB vem buscando abrir caminhos para transformar a realidade. Para a presidente Sônia Maria Malmonge, a equidade de gênero deve ser entendida como parte estratégica do avanço científico e tecnológico. “Temos atuado incentivando a participação feminina em posições de liderança, garantindo representatividade em nossa diretoria, comitês científicos e grupos de trabalho. Além disso, buscamos ampliar a visibilidade para a atuação feminina em mesas-redondas, palestras e painéis com mulheres destacadas na área”.
Conquistas e avanços na área
Apesar das dificuldades, também é possível reconhecer conquistas significativas. Para Ana Paula Macedo, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, a presença feminina nos cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Biomédica tem crescido de forma consistente, acompanhada de iniciativas institucionais que ampliam o acesso. “Um exemplo claro é o edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ‘Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação’, que incentiva a inserção de mulheres nessas áreas”.
O simbolismo do 26 de agosto também ajuda a fortalecer esse processo. Para Naynara de Souza, a data não é apenas um marco no calendário, mas um lembrete das mulheres que abriram caminho para as conquistas atuais. “Cada conquista que temos hoje foi resultado da luta de muitas mulheres que abriram caminhos antes de nós. Essa data serve como motivação para acreditar no próprio potencial e ocupar espaços de liderança”.
A própria trajetória acadêmica também reflete mudanças. Ana Paula recorda que, no início de sua carreira, a presença feminina em cursos de engenharia era mínima, mas que, ao longo dos anos, essa realidade vem se transformando. “Existe uma maior consciência hoje de que é necessário incentivar mulheres na área de exatas, o que vem se refletindo também na Engenharia Biomédica”.
Para Sônia, esse movimento dialoga diretamente com o compromisso da SBEB em destacar a contribuição das mulheres. “O Dia Internacional da Igualdade da Mulher é uma oportunidade para reforçar publicamente nosso compromisso com a equidade de gênero. Essa data simboliza a luta histórica por direitos iguais e nos lembra que a igualdade não é apenas um ideal, mas uma necessidade para o desenvolvimento sustentável”.
O papel da rede de apoio e o futuro da equidade
Se os avanços apontam para um caminho promissor, o futuro da igualdade de gênero na Engenharia Biomédica passa pela consolidação de redes de apoio. Ana Paula acredita que a SBEB pode desempenhar um papel estratégico nesse processo. “Seria importante conectar engenheiras biomédicas do Brasil, promover workshops direcionados ao público feminino e criar informativos com mulheres em destaque, favorecendo parcerias e inspiração mútua”.
Além das iniciativas institucionais, o fortalecimento individual também é fundamental. Maria da Conceição reforça para as mulheres que autoestima e resiliência são qualidades indispensáveis para enfrentar os obstáculos. “Não tenham medo de ocupar espaços de liderança. A Engenharia Biomédica precisa da visão e da inovação que só a diversidade traz. Mulher tem que estar onde ela desejar”.
Por fim, a presidente da SBEB deixa uma mensagem para todas as mulheres: “Para aquelas que já fazem parte da Engenharia Biomédica: sua voz é essencial, sua presença é transformadora. Continuem inspirando, questionando e liderando. A SBEB está aqui para amplificar suas trajetórias e apoiar seu crescimento. Para as que estão chegando agora: sejam bem-vindas! Esta é uma área de impacto direto na vida das pessoas, e vocês têm muito a contribuir. Não tenham medo de ocupar espaços, de fazer perguntas ou de buscar mentoria. Juntas, estamos construindo uma Engenharia Biomédica mais inovadora, justa e representativa. O futuro da área também tem rosto de mulher, e ele começa hoje”, finaliza Sônia.