O que esperar da Engenharia Biomédica em 2026

Abertura do ano aponta inteligência artificial, bioengenharia e saúde digital como eixos do próximo ciclo tecnológico

A Engenharia Biomédica chega a 2026 consolidada como um dos principais vetores da transformação tecnológica na saúde. O avanço simultâneo de tecnologias digitais, biotecnológicas e de conectividade amplia o campo de atuação do engenheiro biomédico. Essa evolução reforça o papel da área na integração entre ciência, inovação e cuidado em saúde.

Para os próximos anos, as projeções indicam soluções baseadas em dados, automação, dispositivos conectados e modelos personalizados de atenção à saúde. A Engenharia Biomédica deixa de atuar apenas como suporte tecnológico e passa a ocupar posição estratégica no desenho, na implementação e na avaliação de sistemas em saúde — embora cursos e programas ainda enfrentem lacunas entre formação acadêmica e demandas reais de mercado, onde a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) atua como ponte.​

Tendências tecnológicas para 2026

Entre as principais projeções para 2026 está a incorporação definitiva da inteligência artificial (IA) em todo o ciclo do cuidado em saúde. A IA deixa de ser restrita a projetos-piloto. Ela passa a integrar rotinas clínicas, operacionais e de pesquisa, convergindo com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) em machine learning e análise preditiva de dados clínicos.​

Algoritmos são cada vez mais usados em triagem, apoio ao diagnóstico, análise de imagens médicas e predição de riscos clínicos. Modelos generativos apoiam prontuários, laudos preliminares e decisões em tempo real.

Outro movimento é a expansão de dispositivos médicos conectados e monitorização remota. Wearables e sensores para acompanhamento cardiovascular, metabólico e respiratório integram plataformas digitais. Essa tendência fortalece o cuidado preventivo e o acompanhamento de doenças crônicas fora do hospital.

A engenharia de tecidos, biofabricação e medicina regenerativa também avançam. Tecnologias como bioimpressão 3D, scaffolds — suportes temporários para crescimento celular —, sistemas microfisiológicos e organ-on-a-chip reduzem custos e aceleram pesquisas. Elas diminuem a dependência de modelos animais e ampliam o papel da área na pesquisa farmacêutica.

No campo da robótica e tecnologias assistivas, há crescimento em hospitais e lares. Cirurgias robóticas, próteses inteligentes e robôs para reabilitação integram sensores, atuadores e controles baseados em dados. Essas soluções demandam formação multidisciplinar em mecânica, eletrônica, software e ciências da saúde.

Outro eixo é a modelagem computacional e gêmeos digitais em saúde. Dados clínicos, imagens e simulações criam representações virtuais de órgãos e pacientes. Elas apoiam planejamento terapêutico e personalização de tratamentos.

Regulação e ética

À medida que essas tecnologias avançam, cresce a atenção à regulação, segurança e ética. Soluções com IA, dados sensíveis e dispositivos conectados exigem evidências clínicas, interoperabilidade e governança de informação.

“Um dos maiores desafios está na dependência de tecnologias importadas, que eleva custos no sistema de saúde e reduz autonomia tecnológica. Isso se conecta ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS)”, explica Fernando José Ribeiro Sales, diretor administrativo da SBEB.​

Sales destaca que a Estratégia Nacional de Saúde Digital 2020–2028 amplia o campo para engenheiros biomédicos, especialmente em interoperabilidade, análise de dados, IA aplicada, telemedicina, plataformas digitais e Redes como o Conecte SUS. Esse contexto reforça a demanda por profissionais na interface entre tecnologia, regulação e serviços de saúde. Dados do Censo da Educação Superior (INEP) mostram expansão de 6 para 27 cursos entre 2010-2024, com 4,4 mil vagas em 2024 — sendo 45-50% em EaD, que amplia o acesso, mas exige mais práticas regulatórias.​

SBEB diante das tendências

Nesse ambiente de mudanças, a SBEB atua como articuladora das tendências no Brasil. A entidade promove diálogo entre academia, indústria, serviços de saúde, reguladores e gestores públicos.

“A SBEB acompanha as tendências interagindo com academia, indústria da saúde, profissionais e órgãos governamentais, regulatórios e de fomento, estabelecendo pontes. Organizamos eventos nacionais e internacionais, além de participar da Hospitalar, para discutir tendências com empresas globais”, afirma Sônia Maria Malmonge, presidente da SBEB.​

A Sociedade participa de debates sobre políticas públicas e regulação. Ela aproxima IA, dispositivos conectados, biofabricação e saúde digital das demandas do SUS e da saúde suplementar. Congressos, cursos e seminários estimulam atualização profissional, com foco em pesquisa translacional e parcerias público-privadas.

Ao fortalecer conhecimento, formação e integração entre atores do ecossistema de saúde, a SBEB alinha a Engenharia Biomédica às tendências globais. O foco fica em impacto social, segurança e responsabilidade no sistema brasileiro.​

Compartilhe este Post!

Rolar para cima