SBEB leva debate sobre IA e acesso à saúde para a Hospitalar 2026

Entidade discute inovação com propósito, regulação e transformação digital para ampliar o acesso da população às tecnologias em saúde

A Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) participa da Hospitalar 2026 com uma programação voltada aos impactos da inteligência artificial, da transformação digital e da inovação em saúde no Brasil. No ano em que completa 50 anos, a entidade leva ao evento o tema “Inovação com propósito: caminhos para fortalecimento da tecnologia em saúde do Brasil”, propondo debates sobre como alinhar desenvolvimento tecnológico, inclusão social e acesso ao cuidado.

A programação acontece no Plaza Hospitalar – Arena 01, no dia 21 de maio, reunindo representantes da academia, indústria, governo e ecossistemas de inovação para discutir os desafios da saúde digital no país. Entre os temas abordados estão inteligência artificial aplicada à prática clínica, desafios regulatórios, startups em saúde e o papel da Engenharia Biomédica na construção de soluções acessíveis e seguras. Parte da programação é resultado de parceria com a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde – SBIS.

O avanço da digitalização da saúde e o uso crescente de algoritmos em diagnósticos, análise de exames e gestão hospitalar estão no centro das discussões. A proposta da SBEB e SBIS é mostrar como essas tecnologias podem contribuir para ampliar diagnósticos precoces, otimizar recursos e democratizar o acesso ao atendimento, especialmente no SUS.

Inovação com propósito

Ao completar cinco décadas de atuação, a SBEB reforça seu posicionamento como articuladora entre ciência, tecnologia e sociedade. “Completar 50 anos neste momento não é uma mera celebração de um marco temporal, mas um lembrete da responsabilidade histórica da SBEB, que vem contribuindo para consolidar a área de Engenharia Biomédica no Brasil. Assim, o amadurecimento da SBEB credencia a Sociedade a articular um ambicioso ‘ecossistema de conexão’ para inovação em tecnologias para a saúde”, afirma Sônia Maria Malmonge, presidente da entidade.

A sociedade defende que a inovação em saúde não deve se limitar ao avanço técnico, mas estar conectada às necessidades reais da população e orientada por princípios de acessibilidade, ética e responsabilidade social.

“A diferença entre uma inovação puramente técnica e uma inovação com propósito está, fundamentalmente, na sua origem e no seu destino. […] Não se trata apenas de desenvolver tecnologias mais avançadas, mas de criar soluções que sejam acessíveis, aplicáveis e capazes de gerar impacto concreto na prática clínica”, afirma Antonio Adilton Oliveira Carneiro, vice-presidente da SBEB.

Nos debates sobre transformação digital, a inteligência artificial aparece como um dos principais vetores de mudança na saúde. A capacidade de interpretar grandes volumes de dados em menos tempo já contribui para diagnósticos mais rápidos e para a otimização de serviços. Ao mesmo tempo, especialistas discutem desafios relacionados ao uso responsável dessas tecnologias, incluindo segurança de dados, transparência e regulação.

“IA e tecnologia são mecanismos importantes para ampliar o acesso, aumentar a resolutividade e são alavancas importantes para potencializar ações de equidade em saúde. […] Mas, por outro lado, existem vieses. Há estudos que mostram que, se não houver atenção para essas questões desde o início, o efeito pode ser o contrário”, afirma Fernando José Ribeiro Sales, diretor administrativo da SBEB.

A entidade também pretende aprofundar o debate sobre como evitar que a transformação digital amplie desigualdades já existentes no acesso à saúde. “A programação do evento foi alinhada para discutir como as tecnologias podem ser mais sustentáveis, acessíveis e promotoras de inclusão, garantindo que a inovação chegue a todos os brasileiros”, afirma Sônia.

No Brasil, a digitalização da saúde ainda enfrenta desafios estruturais. Além da dimensão territorial e da diversidade dos sistemas público e privado, ampliar a conectividade e integrar diferentes redes de atendimento são obstáculos importantes que devem ser superados para consolidar a transformação digital no país.

“Imagine que você tem unidades em cidades como São Paulo, mas também atende populações ribeirinhas na Amazônia. […] Tem uma camada de infraestrutura importante para suportar esse grande volume de dados”, explica Sales.

A Engenharia Biomédica aparece nesse contexto como uma área estratégica por conectar engenharia, medicina, ciência de dados e inovação aplicada à saúde. Essa atuação interdisciplinar permite transformar conhecimento científico em soluções voltadas ao diagnóstico, monitoramento e tratamento de pacientes.

Regulação e startups

Outro eixo central da programação envolve os desafios regulatórios e o fortalecimento dos ecossistemas de inovação em saúde. A SBEB discutirá questões que impactam diretamente o tempo de chegada de novas tecnologias ao mercado, como a ausência de marcos regulatórios específicos para inovações emergentes, a complexidade dos processos de validação e as dificuldades de incorporação ao SUS.

Transformar pesquisas em soluções que realmente cheguem à população ainda é um dos principais desafios da academia. Muitas tecnologias com potencial para melhorar a saúde acabam permanecendo restritas às universidades e centros de pesquisa, sem alcançar a prática clínica ou o sistema de saúde.

“Superar essa barreira exige uma mudança de mentalidade, incorporar desde o início do desenvolvimento aspectos como regulação, escalabilidade, viabilidade econômica e inserção no sistema de saúde. […] A universidade precisa se posicionar, cada vez mais, como agente ativo na geração de impacto social”, aponta Adilton.

Os debates também incluem o papel das startups e das healthtechs na transformação do setor. A programação reúne experiências voltadas à criação de soluções aplicáveis à prática clínica e capazes de aproximar pesquisa acadêmica e mercado.

“Uma coisa é encontrar o que resolve o problema, outra é desenvolver um produto que permita adoção pelo mercado. […] Esse é o grande ‘vale da morte’, onde muitas empresas acabam ficando pelo caminho. O desafio é construir um modelo de negócios capaz de viabilizar a solução”, afirma Sales.

Além das discussões sobre tecnologia e inovação, a Hospitalar 2026 também marca a assinatura de um acordo de cooperação associativa entre a SBEB e a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). A iniciativa reforça a aproximação entre as entidades em temas ligados à transformação digital, formação profissional e produção de conhecimento em saúde.

“Fortalecer a tecnologia em saúde no Brasil exige mais do que investir em inovação, exige direcionar essa inovação. […] A inovação com propósito não é apenas uma escolha estratégica, mas uma responsabilidade”, conclui Adilton.

Ao reunir representantes da academia, indústria, governo e setor regulatório, a participação da SBEB na Hospitalar 2026 reforça a visão de que a inteligência artificial e a transformação digital representam oportunidades concretas para democratizar o acesso à saúde no Brasil.

“Queremos ir além da simples presença, consolidando a SBEB como uma plataforma estratégica que conecta de forma mais forte e inovadora a academia, a indústria, os gestores públicos, os hospitais, profissionais que atuam em saúde e a sociedade civil”, conclui Sônia.

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