Engenheiro biomédico assume coordenação da Engenharias IV da CAPES

Nomeação do professor Alcimar Barbosa Soares reforça a presença da Engenharia Biomédica em uma área estratégica para a avaliação e o desenvolvimento da pós-graduação brasileira

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou, na quinta-feira (02/04), os nomes dos 50 novos coordenadores e coordenadoras de áreas de avaliação que atuarão no sistema de pós-graduação brasileiro até 2030. Entre eles está o professor Alcimar Barbosa Soares, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), nomeado para liderar a Engenharias IV.

A escolha coloca um pesquisador com trajetória consolidada na Engenharia Biomédica à frente de um dos campos mais interdisciplinares da agência, reforçando o protagonismo crescente do setor, na formulação de diretrizes para a pesquisa nacional.

Área estratégica da CAPES

Na estrutura da CAPES, os coordenadores de área são responsáveis por planejar e supervisionar a avaliação dos programas de pós-graduação (PPGs), conduzindo o trabalho de consultores e comissões especializadas, acompanhando a definição de critérios e indicadores.

“A interdisciplinaridade é uma característica de diversas áreas do conhecimento. No entanto, a engenharia biomédica incorpora o desafio de colocar profissionais de áreas muito distintas para trabalharem em conjunto”, afirma Alcimar Barbosa Soares, professor titular da UFU.

A área de Engenharia IV   avalia programas de pós-graduação em engenharia elétrica, engenharia biomédica, automação, robótica, bioengenharia, instrumentação médica e áreas correlatas. Trata-se de um segmento marcado pela convergência entre ciência, tecnologia e aplicações práticas, especialmente no desenvolvimento de dispositivos médicos, sistemas de diagnóstico, processamento de sinais e imagens e tecnologias de reabilitação.

“A função do coordenador desta área da CAPES é planejar e coordenar o processo de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu acadêmicos e profissionais, nas grandes áreas de Engenharia Elétrica e Engenharia Biomédica do país”, informa Soares.

O pesquisador destaca que o sistema de avaliação vem passando por mudanças importantes nos últimos anos, mas que ainda precisa avançar para se tornar mais eficiente e mais aderente à realidade dos cursos brasileiros.

“Assim, assumir a coordenação desta importante área é, ao mesmo tempo, um grande desafio e uma grande oportunidade de contribuir para este processo”, comenta ele.

Desafios da pós-graduação

Entre os principais entraves do sistema, o coordenador destaca a necessidade de ampliar a competitividade internacional das pesquisas desenvolvidas no país, e fortalecer a formação de pessoal, em nível comparável aos grandes centros mundiais.

Outro ponto é a defasagem no valor das bolsas de mestrado e doutorado, que reduz a atratividade da carreira acadêmica e leva muitos estudantes a desistirem da formação, ou a precisarem conciliar os estudos com outras atividades profissionais.

Também estão entre os desafios, a ampliação da transferência de tecnologia para a sociedade, por meio de patentes, parcerias e inovação aplicada, além da redução das desigualdades regionais na distribuição e consolidação dos programas no país.

Trajetória de Alcimar

O professor construiu sua carreira acadêmica na interface entre engenharia e saúde. Graduado em Engenharia Elétrica pela UFU, onde também concluiu o mestrado em Inteligência Artificial, obteve o doutorado em Engenharia Biomédica pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido.

“Minha formação envolvendo as duas grandes áreas me permite dialogar diretamente com ambas. Espero que isso me permita também uma maior aproximação junto aos programas da área, bem como conduzir uma avaliação cada vez mais justa e sensível às diferenças entre a engenharia elétrica e a engenharia biomédica”, afirma Soares.

Ao longo de sua jornada, acumulou experiências internacionais em instituições de referência, incluindo estágio pós-doutoral na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e atuação como pesquisador na Universidade Nacional de Singapura, com projetos em neurotecnologia, robótica e próteses.

Na universidade mineira, exerceu cargos de gestão acadêmica e institucional, como coordenação de curso, direção de faculdade e pró-reitoria de pesquisa. Também participou da criação das graduações e pós-graduação em Engenharia Biomédica da instituição. Atualmente, mantém atividades em ensino, orientação e editoração científica, além de coordenar laboratório voltado ao tema.

“Quem sabe, à frente da coordenação de área, esta característica possa nos auxiliar a trabalhar em prol da área com um olhar mais sensível às imensas diferenças entre vários programas distribuídos pelo nosso país”, comenta Soares.

Planos para a gestão

A chegada de um engenheiro biomédico ao posto ocorre em um momento de fortalecimento institucional do campo no cenário nacional, ampliando a presença da categoria em uma instância estratégica de definição acadêmica.

“Ainda estamos avaliando as possibilidades de ação nesta área, no entanto, algumas já estão definidas, como, por exemplo, a realização de seminários e webinários voltados exclusivamente para instituições e grupos interessados em expandir e/ou criar novos programas; visitas in loco a instituições com potencial para sediar novos cursos ou programas na área”, informa o docente.

De acordo com o professor, o plano de trabalho apresentado à CAPES prevê ações para aprimorar a fiscalização e o acompanhamento das atividades, com possibilidade de ajustes a partir do diálogo com a comunidade.

Entre as prioridades estão a revisão dos critérios para novos cursos, a atualização do documento de área, o aprimoramento da Avaliação Quadrienal e a realização de seminários técnicos. O planejamento também prevê visitas técnicas e ações voltadas à internacionalização, estimulando a cooperação entre centros consolidados e aqueles em fase de desenvolvimento, especialmente em regiões menos atendidas.

Para a comunidade científica ligada à SBEB (Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica), a nomeação reforça o reconhecimento do setor como estratégico para a inovação e o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à saúde da população brasileira.


Referências:

CAPES. Ficha de Avaliação Acadêmico e Profissional: Engenharias IV

CAPES. CAPES divulga nomes dos 50 novos coordenadores de áreas. 2 de abril de 2026.

Escavador. Alcimar Barbosa Soares

Compartilhe este Post!

Rolar para cima