SBEB destaca o papel da Engenharia Biomédica no desenvolvimento de tecnologias que tornam o cuidado com o diabetes mais preciso e acessível
Às vésperas do Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, e do Dia Internacional do Diabético, em 27 de junho, a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) destaca o papel das tecnologias no acompanhamento da doença. Sensores adesivos, sistemas automatizados de administração de insulina, inteligência artificial e dispositivos que utilizam luz para monitorar a glicose estão tornando o cuidado mais contínuo, personalizado e acessível, ampliando a autonomia de pacientes e contribuindo para um controle glicêmico mais eficiente.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 13 milhões de brasileiros vivem com diabetes. A condição ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizar adequadamente esse hormônio, responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Sem acompanhamento adequado, a doença pode provocar complicações que afetam o coração, os rins, os olhos e o sistema nervoso.
Monitoramento contínuo reduz barreiras no dia a dia
Entre as tecnologias que mais ganharam espaço nos últimos anos estão os sistemas de monitoramento contínuo da glicose, conhecidos pela sigla CGM (Continuous Glucose Monitoring). Diferentemente da medição tradicional, realizada por meio de picadas frequentes no dedo, esses dispositivos utilizam sensores adesivos aplicados sobre a pele para registrar os níveis de glicose ao longo do dia.
As informações são enviadas em tempo real para smartphones, relógios inteligentes ou receptores específicos, permitindo que pacientes e equipes de saúde acompanhem tendências e oscilações glicêmicas de forma mais detalhada.
O artigo Diabetes Technology Trends: A Review of the Latest Innovations, publicado em 2025 no periódico The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, aponta que a adoção desses sensores cresceu de forma acelerada na última década, impulsionada por melhorias na precisão dos dispositivos e pela ampliação da oferta de tecnologias disponíveis.
Além de facilitar o monitoramento, estudos analisados pelos autores mostram que o uso do CGM contribui para reduzir episódios de hipoglicemia, melhorar o controle glicêmico e aumentar a qualidade de vida de pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2.
Sistemas inteligentes automatizam parte do tratamento
Outro avanço relevante está nos sistemas automatizados de administração de insulina, conhecidos como AID (Automated Insulin Delivery). Essas tecnologias combinam sensores de glicose, bombas de infusão de insulina e algoritmos capazes de ajustar automaticamente a quantidade de insulina administrada ao paciente.
As diretrizes Standards of Care in Diabetes—2026, da American Diabetes Association (ADA), destaca esses sistemas como uma das estratégias mais eficazes para o manejo do diabetes em pessoas que dependem de insulina. A integração entre monitoramento e administração do medicamento permite responder mais rapidamente às variações glicêmicas e aumentar o tempo em que os níveis de glicose permanecem dentro da faixa recomendada.
Além dos benefícios clínicos, pesquisas publicadas no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism indicam que essas tecnologias também ajudam a reduzir a carga mental associada ao controle diário da doença, promovendo maior autonomia e segurança para os usuários.
Luz e inteligência artificial apontam caminhos para o futuro
A Engenharia Biomédica também tem impulsionado pesquisas voltadas ao desenvolvimento de métodos menos invasivos para acompanhar a glicemia. Entre eles estão dispositivos que utilizam luz para identificar alterações relacionadas à concentração de glicose nos tecidos, reduzindo ou até eliminando a necessidade de perfurações na pele.
Embora muitas dessas soluções ainda estejam em fase de desenvolvimento e validação clínica, elas representam uma das principais tendências para os próximos anos. O objetivo é tornar o monitoramento cada vez mais confortável e integrado à rotina das pessoas com diabetes.
Paralelamente, a inteligência artificial começa a ocupar espaço crescente no cuidado à saúde. A revisão Diabetes Technology: An Update, publicada em 2026 no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, destaca aplicações que vão desde a otimização de sistemas automatizados de insulina até ferramentas capazes de analisar grandes volumes de dados gerados pelos sensores.
Pesquisadores também investigam o uso da inteligência artificial em programas de educação em saúde, apoio à tomada de decisão clínica e desenvolvimento de sistemas personalizados para prevenção e controle do diabetes.
Inovação e acesso caminham juntos
Apesar dos avanços tecnológicos, o acesso a essas soluções ainda representa um desafio em diferentes regiões do mundo. Tanto as diretrizes da ADA quanto estudos recentes publicados no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism apontam que barreiras econômicas, sociais e estruturais continuam limitando o alcance dessas ferramentas para parte da população.
Nesse contexto, as datas dedicadas à conscientização sobre o diabetes também convidam à reflexão sobre o papel da inovação no cuidado em saúde. Mais do que desenvolver novas tecnologias, o desafio passa por garantir que elas cheguem a quem precisa.
A Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) acompanha esse movimento ao reunir pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais que atuam no desenvolvimento de soluções capazes de aproximar ciência e sociedade. Tecnologias como sensores de monitoramento contínuo da glicose, sistemas automatizados de administração de insulina e métodos não invasivos de medição são exemplos de como a Engenharia Biomédica contribui diretamente para a prevenção de complicações e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com diabetes.
À medida que essas ferramentas evoluem, a expectativa é que o cuidado com a doença se torne cada vez mais personalizado, integrado e acessível. O avanço tecnológico, aliado à produção científica e à formação de novos profissionais, reforça o papel estratégico da Engenharia Biomédica na construção de soluções para um dos principais desafios de saúde pública da atualidade.
Referências:
American Diabetes Association Professional Practice Committee for Diabetes* (2026). 7. Diabetes Technology: Standards of Care in Diabetes-2026. Diabetes care, 49(Supplement_1), S150–S165. https://doi.org/10.2337/dc26-S007
Priya Prahalad, Dessi Zaharieva, David M Maahs, Diabetes technology: an update, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 111, Issue 7, July 2026, Pages e1739–e1748, https://doi.org/10.1210/clinem/dgag164
Erika L Lundgrin, Clare A Kelly, Natalie Bellini, Claudia Lewis, Ebne Rafi, Betul Hatipoglu, Diabetes Technology Trends: A Review of the Latest Innovations, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 110, Issue Supplement_2, April 2025, Pages S165–S174, https://doi.org/10.1210/clinem/dgaf034
Ministério da Saúde. Diabetes (diabetes mellitus). Último acesso em: 23/06/2026