CBEB 2026 reuniu pesquisadores e apontou caminhos para a inovação em saúde

Evento promovido pela SBEB aprovou aproximadamente 860 trabalhos com resultados de pesquisas, renovou o ecossistema científico com novos participantes e lança a próxima edição em Belém

O Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (CBEB 2026) encerrou sua trigésima edição consolidando o avanço e a maturidade da tecnologia em saúde no país. Promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) entre 28 de setembro e 1º de outubro, em Fortaleza (CE), o encontro alcançou o marco de quase 2.000 inscrições válidas e cerca de 740 participantes presenciais. Além de apresentar 91% dos trabalhos submetidos, o evento serviu como uma plataforma de renovação para a entidade, registrando que cerca de 82% dos participantes não eram previamente associados à SBEB. A adesão ao congresso refletiu a diversidade de atores do ecossistema de inovação médica. A comunidade acadêmica teve forte representação, com estudantes de pós-graduação e de graduação. O perfil de participantes contou ainda com profissionais atuantes da área, entre ouvintes e palestrantes.

Balanço das pesquisas 

Os resultados operacionais e científicos reforçam o interesse crescente pela produção tecnológica em saúde. Sobre a adesão ao evento, Victor Hugo Costa de Albuquerque, Presidente da Comissão Organizadora do CBEB 2026, destaca em nome da comissão organizadora, a relação de confiança com a comunidade. “Para nós, esses números representam, acima de tudo, a confiança da comunidade no congresso e no trabalho realizado pela comissão organizadora”. Das 940 pesquisas submetidas, o comitê científico aprovou cerca de 860 trabalhos, atingindo uma taxa de aceitação de 91%. O conjunto de estudos aprovados dividiu-se entre 83% de artigos completos e 17% de resumos expandidos.

A dinâmica de apresentações combinou formatos digitais e presenciais: 740 trabalhos foram expostos em pôsteres digitais exibidos em telas de TV ao longo de 68 sessões, enquanto 97 pesquisas integraram a grade de apresentações orais distribuídas em salas dedicadas. Ao ressaltar o valor dos encontros presenciais e da troca de experiências nos corredores, Albuquerque pontua: “Muitas vezes, as conversas que acontecem depois de uma palestra ou durante um intervalo são tão importantes quanto a apresentação em si. É nesses momentos que surgem ideias, propostas de colaboração e até novos projetos”.

A área de Processamento de Sinais e Imagens Biomédicas liderou a programação científica, com quase 220 pesquisas aprovadas (26% da grade). A grade contemplou temas estratégicos como Tecnologias Assistivas e Reabilitação (12%), Biossensores e Instrumentação Biomédica (9%) e Informática Biomédica (8%), também contaram com outros trabalhos de menor destaque comparado aos citados.

Na distribuição geográfica dos estudos apresentados, a região Sudeste concentrou 50% dos trabalhos na grade, seguida pelo Nordeste com 28,7%, Sul com 11%, Centro-Oeste com 6,6% e Norte com 3,6%. Entre as unidades da federação com maior número de inscritos, destacaram-se São Paulo, Ceará, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco, além da presença dos participantes internacionais. As instituições de ensino com maior volume de participantes foram a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e a Universidade Federal do Ceará (UFC).

Refletindo sobre o engajamento e a essência da comunidade ao longo das atividades, Albuquerque aponta: “Há algo que considero ainda mais importante do que os números, o envolvimento das(os) CBEBianas(os).[…] Foram momentos de troca, aprendizado, amizade e emoção que nenhum número consegue traduzir. Para mim, esse foi um dos maiores resultados do CBEB 2026”.

Impacto institucional e tecnologias para o SUS

A realização do evento reforça a atuação da SBEB no alinhamento entre o desenvolvimento científico e as demandas estruturais da saúde pública no Brasil e na América Latina. Ao destacar a visão da sociedade científica quanto ao propósito das edições do congresso para a integração e o avanço da saúde no país, Sônia Malmonge, presidente da SBEB, pontua: “O objetivo da SBEB é que cada edição do CBEB deixe como legado uma comunidade mais integrada, colaborativa e capaz de contribuir para o desenvolvimento científico, a inovação nacional e a melhoria da qualidade da saúde no Brasil”. O congresso reafirma o papel estratégico da sociedade científica em integrar diferentes frentes de atuação da Engenharia Biomédica, promovendo um ambiente de troca capaz de fortalecer a autonomia tecnológica do setor de saúde.

Um dos destaques do último dia do evento foi a divulgação dos vencedores  do Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o SUS 2026 (Brasil e América Latina). Ao avaliar o prêmio como um instrumento central para valorizar pesquisadores e impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país, Sônia destaca: “O concurso denominado Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o SUS é  uma estratégia importante para o reconhecimento de talentos e promoção da saúde pública no Brasil. […] Os resultados do concurso mostram que a Engenharia Biomédica tem potencial para contribuir não apenas com o avanço do conhecimento científico, mas também com a autonomia tecnológica do país e a ampliação do acesso da população a tecnologias de saúde”. A iniciativa reconheceu pesquisas e projetos dedicados ao desenvolvimento de soluções tecnológicas direcionadas aos desafios do Sistema Único de Saúde, valorizando propostas de alto impacto social, viabilidade técnica e aplicabilidade na rede pública de atendimento.

Próxima edição 

Concluídas as atividades em Fortaleza, a articulação do ecossistema científico volta-se para a preparação do próximo encontro da comunidade da engenharia biomédica. Ao abordar as perspectivas para a realização do evento na Região Norte e o fortalecimento da integração institucional, Sônia informa: “Em relação à próxima edição, em Belém do Pará, a expectativa é ampliar ainda mais a representatividade nacional da Engenharia Biomédica, fortalecendo a participação das instituições e dos pesquisadores da Região Norte”. O encerramento do evento marcou o lançamento oficial do CBEB 2028, que será sediado em Belém (PA) no mês de setembro de 2028.

O convite oficial foi apresentado pela professora Maria Conceição, da Universidade Federal do Pará (UFPA), instituição responsável pela organização da próxima edição. “A expectativa é realizar um congresso marcante para a Engenharia Biomédica brasileira, que terá como um marco histórico ser o primeiro coordenado por duas mulheres”.

A SBEB convoca pesquisadores, profissionais e estudantes a acompanharem o lançamento do vídeo promocional oficial e a integrarem as etapas preparatórias para a edição de 2028. Ao chamar a comunidade científica nacional a se engajar desde já na construção coletiva do evento, Maria reforça: “Nosso principal convite é para que a comunidade da Engenharia Biomédica de todo o Brasil se sinta parte do CBEB 2028 desde agora. Não queremos esperar setembro de 2028 para começar este encontro. Queremos que ele comece a ser construído muito antes, com a participação e o compromisso de pessoas e instituições de diferentes regiões do país”.

Referência:

CBEB. Resultados do CBEB 2026. 2026

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