Frente aos desafios no rastreamento e à alta taxa de diagnósticos avançados, a SBEB destaca o avanço de tecnologias brasileiras que contribuem para esse diagnóstico
Com a estimativa de 781 mil novos casos anuais de câncer até 2028, com o câncer de mama sendo de 30% dos tipos mais incidentes para as mulheres, o Brasil enfrenta um cenário de diagnósticos tardios e desigualdades no Sistema Único de Saúde (SUS). Para reverter esse quadro e ampliar o acesso ao rastreamento, a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) mobiliza o ecossistema científico e industrial durante o Outubro Rosa 2026, impulsionando tecnologias nacionais de diagnóstico precoce. A relevância das soluções tecnológicas desenvolvidas no país ganha importância diante do avanço da doença, apontada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) como a neoplasia mais incidente e a principal causa de mortalidade por câncer entre as mulheres brasileiras, com exceção dos tumores de pele não melanoma.
Neste Outubro Rosa 2026, a SBEB reafirma a Engenharia Biomédica como base para assegurar a equidade na atenção à saúde e o fortalecimento do parque tecnológico brasileiro. Desde sua fundação, a Sociedade atua para integrar a comunidade científica e promover a disseminação do conhecimento, além de promover a profissão no país. A SBEB também comprova seu compromisso de converter a evolução científica e tecnológica em tratamentos humanizados e acesso universal aos cuidados oncológicos para as mulheres em todas as regiões do Brasil.
Desafios e disparidades regionais no rastreamento
No cumprimento de sua missão de congregar os profissionais da área e direcionar a Engenharia Biomédica aos desafios da saúde pública, a SBEB monitora os dados assistenciais do SUS que fundamentam a necessidade de novas tecnologias. Atualmente, mais de 50% dos casos de câncer de mama atendidos na rede pública são identificados em estágios avançados (3 ou 4). Além disso, a cobertura da mamografia de rastreamento na população-alvo (mulheres de 50 a 69 anos) registrou apenas 24,2% no Siscan em 2024, índice distante da meta de 70% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A análise desses cenários pela comunidade da SBEB apoia-se em estudos como os baseados no DATASUS, que confirmam o crescimento de diagnósticos em estágios avançados (III e IV) em todas as faixas etárias nos últimos anos. Somado a isso, em mais de metade dos casos registrados, o tempo decorrido entre a confirmação do diagnóstico e o início efetivo do tratamento excede o prazo legal de 60 dias.
A atuação institucional da Sociedade volta-se também para a superação das disparidades na distribuição geográfica da infraestrutura diagnóstica. As taxas mais elevadas de incidência concentram-se no Sul e no Sudeste, com índices ajustados de 41,06 e 52,83 casos por 100 mil mulheres, respectivamente. Em termos estaduais, o Rio de Janeiro registra a maior taxa bruta de incidência, enquanto Santa Catarina lidera os índices ajustados.
A assimetria reflete-se nos indicadores de mortalidade, que somaram mais de 20 mil vítimas no país. O Sudeste concentrou o maior volume de óbitos, com 9.706 registros, seguido pelo Nordeste, com 4.517. Em suas respectivas regiões, São Paulo e Bahia respondem pelas maiores proporções dessas ocorrências, acumulando 51% e 30% das mortes observadas. Esses dados balizam a atuação dos pesquisadores e engenheiros biomédicos filiados à SBEB na busca por descentralizar o acesso aos exames.
Atuação da SBEB para superar barreiras
A superação dos obstáculos operacionais enfrentados por estados e municípios é uma das frentes em que a SBEB posiciona a Engenharia Biomédica. A literatura científica sobre a implementação do rastreamento mamográfico no SUS aponta que a expansão da cobertura depende de vencer barreiras organizacionais e contextuais. Mapeamentos baseados no Consolidated Framework for Implementation Research (CFIR) indicam que a fragmentação do fluxo assistencial e a falta de integração entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e os serviços especializados de oncologia figuram entre os principais gargalos para o seguimento adequado das pacientes.
Apesar de avanços no volume de procedimentos, como a realização de 76.318 punções por agulha grossa em 2024, e do fato de a totalidade dos serviços do Programa de Qualidade em Mamografia (PQM/INCA) utilizar tecnologia digital (CR ou DR), a rede pública sofre com problemas de posicionamento e laudos inconclusivos (BI-RADS 0), que atingiram 12,0% nas mamografias de rastreamento, sobrecarregando o sistema com exames complementares desnecessários.
Diante desse cenário, a SBEB atua de forma integrada: apoia a formação técnica continuada de profissionais de saúde, estimula o aprimoramento dos sistemas de informação em saúde e fomenta a inserção de dispositivos médicos desenvolvidos no país.
Inovação nacional e o protagonismo da pesquisa biomédica
Para responder às limitações dos exames convencionais e ampliar o alcance do rastreamento precoce, pesquisadores ligados à SBEB desenvolvem soluções tecnológicas sob medida para as necessidades da rede pública. Um dos destaques é o Tomógrafo de Mama por Ultrassom, equipamento nacional projetado para realizar varreduras tridimensionais (3D) sem emissão de radiação ionizante e sem a necessidade de compressão mamária.
O dispositivo foi desenvolvido no âmbito do Grupo de Inovação em Instrumentação Médica e Ultrassom (GIIMUS), sediado na Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto (USP RP) e liderado por Antonio Adilton Oliveira Carneiro, vice-presidente da SBEB. Para dispensar a radiação e eliminar o desconforto da compressão mecânica, a tecnologia é indicada para o exame de mulheres jovens, pacientes com mamas densas (nas quais a mamografia tradicional apresenta menor sensibilidade) e pessoas com deficiência. A inovação representa uma alternativa viável para garantir exames preventivos mais confortáveis, precisos e inclusivos na rede de saúde.
Fortalecimento do ecossistema científico
A atuação da SBEB no combate ao câncer de mama articula uma ampla rede de parceiros, centros de pesquisa e instituições filiadas que atuam na criação de tecnologias para todas as etapas do cuidado oncológico. Esse meio abrange a engenharia de mamógrafos com tomossíntese (mamografia 3D) e sistemas de biópsia guiada por imagem para confirmação diagnóstica ágil, e também o desenvolvimento de equipamentos de radioterapia intraoperatória voltados ao tratamento localizado.
Ao congregar especialistas, laboratórios e a indústria nacional, a SBEB busca consolidar uma cadeia produtiva de equipamentos médicos no país. A iniciativa visa reduzir a dependência de importações de tecnologia e baratear custos de aquisição e manutenção para o SUS.
Referências:
Instituto Nacional de Câncer – INCA. INCA lança publicação com panorama do câncer de mama no Brasil. 2025
Repositório Institucional INCA. Controle do câncer de mama no Brasil : dados e números 2025. 2026
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de Araújo Santos Camargo, J.D., Camargo, S.F., de Souza, A.T.B. et al. Regional disparities in breast cancer mortality in Brazil: a spatial analysis using uncorrected and adjusted data, 2000–2023. Sci Rep 16, 6770 (2026). https://doi.org/10.1038/s41598-026-37844-w
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Ministério da Saúde. Câncer de mama. Última visita: 05/10/2026
Instituto Nacional de Câncer – INCA. INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. 2026