Missão à Índia reúne participação no programa do BRICS e acordo para cooperação em pesquisa e inovação em saúde
A Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) participou, entre os dias 7 e 13 de setembro, de uma missão à Índia que incluiu o lançamento do BRICS BioDesign Programme, em Nova Delhi, e visitas técnicas à Andhra Pradesh MedTech Zone (AMTZ), em Visakhapatnam, instituição que junta várias competências médicas tecnológicas. A iniciativa reúne instituições e profissionais para identificar necessidades prioritárias dos sistemas de saúde e desenvolver tecnologias médicas adaptadas à realidade de cada país participante. Durante a agenda, a Sociedade formalizou um Memorando de Entendimento (MoU) com a AMTZ, estabelecendo uma base de cooperação entre Brasil e Índia em formação.
O MoU entre a SBEB e a AMTZ estabelece uma cooperação que integra educação e desenvolvimento tecnológico. Isso amplia as possibilidades de atuação da SBEB, pois permite a articulação com instituições ligadas à saúde, facilitando a troca de experiências, o acesso a competências complementares e a conexão com parceiros. A iniciativa contribui para organizar o percurso entre a necessidade clínica e uma solução eficaz para o público, reduzindo a fragmentação do setor e fortalecendo a comunicação entre as organizações brasileiras.
BRICS BioDesign Programme
O lançamento do programa reuniu representantes do BRICS para discutir os principais gargalos na saúde e viabilizar tecnologias adequadas às economias dos países participantes. O encontro busca tornar essas soluções acessíveis a economias participantes, discutindo como os ecossistemas de saúde, universidades e governos podem atuar em cooperação.
O Brasil contou com a participação do Prof. Antonio Adilton Oliveira Carneiro, vice-presidente da SBEB, que representou a Engenharia Biomédica no evento, e retratou a realidade brasileira, com base em sua experiência de articulação entre universidade, governo, destacando o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) como indutor da inovação em saúde. A agenda também contou com o apoio do Office of the Principal Scientific Adviser do Governo da Índia, da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia, a FICCI, e do Science and Technology Cluster. A iniciativa foi articulada pelo Dr. Jitendra Kumar Sharma Managing Director e Founder CEO da AMTZ, o “MedTech Man of India”, uma das figuras mais transformadoras do setor de tecnologias médicas na Índia. Sharma, também ficou reconhecido por seu papel pioneiro na transformação do ecossistema de saúde e fabricação de dispositivos médicos do país.
Durante a missão, também foi apresentado o BRICS BioDesign Centre, instalado no The Atrium, em Visakhapatnam. O centro foi concebido como uma plataforma de inovação em tecnologias médicas orientada por necessidades, com potencial para apoiar a formação de competências, a troca de conhecimento e o acompanhamento de projetos desenvolvidos entre os países participantes.
Esses acordos e as interações entre os países participantes do BRICS, que acontecem anualmente, ganham relevância diante de desafios enfrentados pelo Sul Global, como o acesso limitado e o alto custo de tecnologias médicas, a dependência tecnológica e a dificuldade de distribuição de soluções em saúde. A cooperação entre os países pode contribuir para ampliar a autonomia tecnológica, desenvolver soluções voltadas às necessidades locais e favorecer o acesso a tecnologias médicas. Para o Brasil, apesar de não ter efeito imediato, no médio e longo prazo poderá contribuir para aproximar necessidades do SUS, pesquisa científica, infraestrutura tecnológica, desenvolvimento de protótipos e soluções que possam alcançar os pacientes.
Próximas etapas
A cooperação deverá avançar por meio da elaboração de um plano de ação conjunto. O próximo passo será implementar o programa BRICS BioDesign, no qual participantes de cada país identificarão demandas locais de saúde e definirão projetos-piloto e indicadores para acompanhar os resultados. O plano também estabelecerá regras para financiamento, propriedade intelectual, mobilidade e uso compartilhado de infraestrutura e mobilidade dos participantes entre os países BRICSrics.
O acordo abre espaço para capacitações em BioDesign, atividades de intercâmbio entre os estudantes, pesquisadores e profissionais. Também estão previstas iniciativas voltadas ao desenvolvimento de soluções para a saúde, como hackathons, desafios de inovação, e projetos de prototipagem, com a participação de parceiros clínicos e industriais. A aproximação entre esses diferentes atores busca criar condições para que as propostas avancem ao longo do processo e a parceria também prevê a busca de oportunidades de financiamento no âmbito do BRICS.
A execução dessas ações dependerá agora da definição de prioridades, dos responsáveis por cada frente e dos recursos disponíveis. O MoU estabelece bases de ação, mas não representa, por si só, a criação imediata de produtos, investimentos ou tecnologias incorporadas à assistência. Seus resultados dependerão da transformação da cooperação institucional em projetos com metas, financiamento e avaliação de resultados. E essa próxima etapa deverá mostrar como a cooperação entre o Brasil e os outros países, isso poderá se traduzir em ações concretas para a Engenharia Biomédica.
Referências:
Machine Maker. MedTech Zone Leads BRICS BioDesign Initiative for Cross-Border Healthcare Innovation. 2026
Digital Health News (DHN). AMTZ Launches BRICS BioDesign Centre to Advance Affordable MedTech Innovation. 2026
Fortune India. AP MedTech Zone to establish BRICS BioDesign Centre. 2026
Departamento de Física (FFCLRP-USP). Representando o Brasil no BRICS Biodesign, Prof. Antonio Adilton Carneiro, do DF/FFCLRP, realiza missão na Índia para incentivo à Inovação. 2026
The Healthcare Tribe with Amit Gandhi. MedTech Man of India | Building AMTZ, Make in India & the Future of Healthcare | Dr. Jitendra Sharma. 2026