SBEB e SBIS unem conhecimento para transformar a saúde digital

Aliança anunciada durante a Hospitalar 2026 busca integrar engenharia biomédica e informática em saúde para impulsionar inovação, regulação e formação profissional

A Hospitalar trouxe ao centro do debate temas relacionados à transformação digital da saúde brasileira, durante a edição de 2026 a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB) e a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) apresentaram uma parceria estratégica para aproximar academia, pesquisa e mercado. A iniciativa pretende estimular o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, seguras e alinhadas às necessidades do sistema de saúde, com foco em inteligência artificial, interoperabilidade de dados e formação de profissionais.

Para o diretor de operações da SBIS, Paulo Lopes, a parceria estabelece uma agenda permanente de colaboração. “De forma complementar, a parceria prevê ações de divulgação recíproca, apoio a eventos, cursos e iniciativas científicas […] além da colaboração em temas relacionados ao ensino, à pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento de políticas em Saúde Digital.”

A iniciativa está inserida no contexto da digitalização dos serviços de saúde. Enquanto a Engenharia Biomédica atua no desenvolvimento de dispositivos e equipamentos médicos, a Informática em Saúde concentra-se na gestão, integração e análise das informações geradas por essas tecnologias.

Segundo o diretor administrativo da SBEB, Fernando José Ribeiro Sales, as duas entidades atuam em temas semelhantes, articulando em diferentes setores de saúde . “Temos muitos objetivos em comum, como desenvolver,  as questões de pesquisa, desenvolvimento e inovação, mas também de articulação, de atores em torno desse grande mundo de tecnologia voltado para saúde.”

Integração entre tecnologia e informação

Com equipamentos médicos cada vez mais conectados, cresce a necessidade de garantir que os dados produzidos sejam integrados aos sistemas de saúde de forma segura e confiável. A parceria busca justamente estabelecer boas práticas, projetos e capacitações para fortalecer esse ecossistema.

Lopes destaca que a combinação entre essas áreas permitirá elevar a qualidade das informações produzidas pelos equipamentos biomédicos. “Essa convergência permite criar diretrizes, boas práticas, projetos-piloto e capacitações. Para que os dados produzidos por equipamentos biomédicos sejam capturados, estruturados, validados e integrados aos sistemas de informação em saúde de forma segura, rastreável e útil para a assistência, a gestão e a pesquisa.”

Fundada em 1975, a SBEB é referência nacional em Engenharia Biomédica, organizando o Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (CBEB) e publicando a revista Research on Biomedical Engineering. Já a SBIS, criada em 1986, atua na promoção do uso adequado das Tecnologias da Informação e Comunicação na saúde e na construção de políticas públicas de saúde digital.

Sales ressalta que a cooperação fortalece ambas as áreas. “Vejo essa parceria com a SBIS como uma grande catalisadora, com uma parceira importante para nos ajudar a desbravar esse mercado. Estamos em um momento de construir conjunto, de cooperar, ao invés  de competir nesse cenário.”

Inteligência artificial e regulação

Um dos primeiros resultados da parceria foi a realização de uma programação conjunta durante a Hospitalar 2026 sobre os impactos regulatórios da inteligência artificial, com participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo foi discutir formas de ampliar a adoção da IA preservando a segurança e a ética na prática clínica.

Durante o evento, a SBIS apresentou a primeira Certificação de Aplicações de Inteligência Artificial em Saúde do Brasil, que estabelece critérios de governança, proteção de dados e confiabilidade para sistemas de apoio à decisão clínica.

Lopes reforça que o desenvolvimento de soluções em IA depende da integração entre diferentes áreas do conhecimento. “Quando esses, e outros, profissionais trabalham de forma conjunta, torna-se possível desenvolver algoritmos mais robustos, explicáveis e aderentes ao contexto clínico, reduzindo riscos de interpretações inadequadas, vieses, falhas de integração ou uso de dados de baixa qualidade.”

Formação e infraestrutura

As duas instituições reconhecem que a consolidação da saúde digital depende tanto da expansão da infraestrutura tecnológica quanto da formação de profissionais preparados para atuar em um ambiente cada vez mais interdisciplinar.

Sales afirma que esse é um dos principais desafios para o setor. “Há muitas dores dentro desse contexto, de como trabalhamos toda essa parte de infraestrutura, mas também em como preparar os profissionais de tecnologia e de saúde para trabalhar nesse mundo novo da saúde digital.”

A expectativa é que a parceria amplie a colaboração entre universidades, empresas e serviços de saúde. Fortalecendo processos de desenvolvimento e validação de tecnologias, entre quem desenvolve e quem as utiliza na assistência, criando um ambiente favorável para validar soluções, e acelerar a incorporação de inovações ao sistema de saúde de forma ética, segura e alinhada às necessidades da população.

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