Parceria entre Ministério da Saúde e SBEB une ciência e prática hospitalar para acelerar a inovação no setor público
Conectar quem vivencia as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS) a quem desenvolve tecnologia é o objetivo do Hackathon SUS. A iniciativa propõe transformar desafios operacionais da saúde em projetos que contemplem viabilidade técnica, critérios regulatórios e relevância assistencial. Fruto de uma parceria com o Ministério da Saúde voltada ao avanço da saúde pública, o projeto é apoiado pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), que mobiliza a comunidade da área e integra o júri da competição.
O Hackathon SUS baseia-se nas necessidades do SUS, e a Engenharia Biomédica está presente ao criar tecnologias médicas acessíveis e eficazes para a saúde pública. Essa aproximação entre ciência, indústria e assistência não acontece por acaso: ela é viabilizada por um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Ministério da Saúde, o MDIC, a Anvisa, a Rede HU Brasil, o Sebrae e a OPAS/OMS, que formaliza as responsabilidades de cada parceiro dentro da iniciativa.
É esse arranjo institucional que garante ao Hackathon SUS o acesso à rede de hospitais universitários federais e a conexão direta com as políticas públicas de saúde e de desenvolvimento produtivo do país e é dentro desse mesmo espaço que o apoio da SBEB, na divulgação do Hackathon SUS e na Comissão Julgadora, se soma ao trabalho do Ministério da Saúde.
Desafios e imersão hospitalar
As imersões do Hackathon foram definidas a partir de um levantamento realizado pela equipe de engenharia clínica da Rede HU Brasil, que administra uma grande rede de hospitais públicos, em conjunto com o Ministério da Saúde, que identificou lacunas relacionadas à assistência, à tecnologia e à produção.
A oncologia foi estabelecida como uma das prioridades para a atividade, resultando no surgimento de dois eixos: a criação de dispositivos médicos para diagnóstico e monitoramento clínico em oncologia e o desenvolvimento de instrumentos ou dispositivos capazes de ampliar a capacidade cirúrgica oncológica.
A jornada é dividida em três etapas estruturadas. Primeiro, ocorreu a inscrição e a pré-seleção em âmbito nacional e virtual. Em seguida, as equipes participaram de etapas regionais presenciais em hospitais universitários, com mentorias especializadas e visitas técnicas aos serviços de oncologia. Por fim, os projetos avançarão para uma etapa nacional, encerrada com a cerimônia de premiação.
O contato com a rotina hospitalar permite que os participantes compreendam que uma tecnologia destinada ao SUS precisa responder a dimensões múltiplas do cuidado, abrangendo diferentes habilidades e a integração com sistemas eletrônicos e com a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC).
Projetos e formação profissional
Essa diversidade de perspectivas também está presente no Ideathon do Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica (CBEB 2026), que reúne integrantes da área para trabalhar sobre problemas da assistência oncológica, como a organização do fluxo de quimioterapia e o agendamento de pacientes que se deslocam do interior para Fortaleza.
A participação de vários perfis permite identificar, ainda durante o desenvolvimento, aspectos que poderiam dificultar a utilização de uma tecnologia no serviço de saúde, aproximando a concepção do produto das condições encontradas no ambiente. É nesse ponto que a Engenharia Biomédica exerce seu caráter interdisciplinar, conectando conhecimentos de engenharia, ciência e saúde.
A atuação da SBEB busca ampliar essa interação ao aproximar sua comunidade de outras iniciativas. No Bio Challenge Brasil 2026, organizado pelo Inatel com apoio da SBEB, estudantes desenvolvem soluções voltadas à atenção primária, direcionadas ao monitoramento e cuidado de pacientes ou ao suporte às equipes de saúde, com programação que prevê aproveitamento integral do CBEB.
Paralelamente, o Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o SUS, promovido pela SBEB em parceria com a Boston Scientific, reconhece projetos direcionados aos desafios dos serviços públicos de saúde, incluindo propostas de origem da América Latina.
Essas iniciativas colocam estudantes e jovens pesquisadores em contato com a realidade dos serviços de saúde, exigindo habilidades comunicacionais e técnicas. A participação cria oportunidades para que conhecimento científico,a experiência profissional e necessidades do sistema de saúde se encontrem antes que a tecnologia chegue ao serviço.
Esse espaço de formação e colaboração terá continuidade no CBEB 2026, marcado para o período de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026, em Fortaleza, onde os participantes testam ideias e constroem os próximos passos da Engenharia Biomédica no país.
Referências:
CBEB 2026. Ideathon. 2026
SBEB. Prêmio Inovação em Engenharia Biomédica para o SUS. 2026
CBEB 2026. BioChallenge Brasil 2026. 2026
Inatel. 4ª edição da Competição Nacional de Engenharia Biomédica. 2026
HU Brasil. Sobre. 2026
Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/chamamentos-publicos/2026/chamamento-publico-no-02-2026-sctie/edital. 2026